A perturbadora normalidade política
A situação em torno das polémicas e dos casos que envolvem o Ministro da Administração Interna Luís Neves são complexas e inaceitáveis do ponto de vista da ética e da ação política. Estas práticas demonstram acima de tudo, a forma como os nossos governantes fazem uso do seu poder, para fintar e ignorar os procedimentos legais que impõem aos modestos contribuintes eleitores. Estamos perante uma forma arrogante, ligeira e visível de confrontar abertamente as “coisas” da legalidade burocrática que normalizam e controlam a nossa vida quotidiana.
Todos nós sabemos que o expediente, o jeitinho e a habilidade fazem parte da vida de todo o português. É normal e tácito que cada português antes de cumprir com a lei, procura o vizinho, o padrinho e o compadre para lhe indicar as “manobras” que deve fazer para fugir com as suas obrigações.
O cidadão normal faz isto de forma cuidada, invisível, com alguma discrição e ingenuidade para evitar o confronto directo com a lei e a norma. Os nossos governantes fazem-no de forma aberta, visível e descarada. Não têm pudor nem temor. Eles são o Estado dentro do Estado, o poder que controla e condiciona os poderes.
Estas práticas que remetem para o abuso do poder por parte dos nossos governantes, representam também uma ruptura com a legitimidade democrática, que só é válida quando resulta de um diálogo livre e de um compromisso ético com os cidadãos eleitores.
Sobre esta matéria Habermas (1999) reconhece que quando os governantes ignoram o debate público e impõem decisões de cima para baixo, a legitimidade do poder corrompe-se. Quando........
