Se não resolvermos... Quem resolve?
Portugal habituou-se à perigosa ideia de que o tempo resolve aquilo que as lideranças não conseguem enfrentar. Década após década, acumulam-se diagnósticos certeiros, relatórios exaustivos e promessas reiteradas – mas a execução, essa, continua a falhar. E quando a execução falha sistematicamente, não estamos perante um problema técnico. Estamos perante um problema estrutural.
Ouvimos recentemente a narrativa de Luís Montenegro que o país atingiu «serviços máximos». A afirmação é politicamente conveniente, mas não resiste ao teste da realidade. Portugal não está em serviços máximos – está, isso sim, preso aos mesmos constrangimentos de sempre, a enfrentar os mesmos bloqueios administrativos, a reproduzir os mesmos atrasos estruturais. E, talvez mais grave, continua a justificar esses falhanços com as mesmas desculpas e os mesmos discursos de circunstância. A falta de seriedade do discurso tem sido uma constante nas diferentes legislaturas.
Se olharmos com frieza, o país não sofre de falta de........
