Adivinhar o futuro é muito duro...
O título desta crónica é um verso de uma canção de Sérgio Godinho, que me vem à memória sempre que vejo o entusiasmo com que são recebidas as previsões económicas e financeiras. Regra geral, as previsões são apresentadas e noticiadas como que de factos se tratasse. Quantas vezes não ouvimos já afirmações como ‘no próximo ano, a economia vai crescer x%’, ou ‘o PIB vai crescer menos do que diz o Governo?’ E passa-se o tempo a discutir acaloradamente as previsões das diferentes instituições, normalmente separadas por algumas (poucas…) décimas. E até já vimos a intenção de ‘julgar’ instituições por falhas nas previsões… O que vemos não é a discussão de cenários, dos seus fundamentos e da sua plausibilidade, mas a discussão de um número, como se tudo se resumisse a isso.
As previsões são um instrumento útil, mas devem ser vistas com o valor que têm: o de extrapolações sob determinados pressupostos, com base em modelos econométricos. Por isso, também recordo sempre Miguel Beleza quando citava Robert Solow, seu professor, recomendando aos alunos do MIT: «Nunca façam........
