menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Acendendo Estrelas: porque a ciência precisa de vozes apaixonadas

29 0
20.01.2026

“Ele até parece normal!”. Pausa. Imaginem esta frase, sobre mim, dirigida a uma professora, após uma conferência. Ri-me surpreendido, mas fiquei a pensar… Porque quem diz “normal” parte do pressuposto que os cientistas são excêntricos, isolados, estranhos. Cabe a cada um de nós, profissionais da ciência combater a representação distorcida da ciência e dos cientistas como seres fora do nosso alcance.

O mito dos génios inalcançáveis. A área das STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) é vista como “difícil, monótona, inacessível” e “sem impacto social direto”. A série “A teoria do Big Bang” apresenta uma caricatura dos cientistas como nerds solitários, sem vida social. Mas atualmente o maior antagonista é a desinformação digital. Jovens absorvem fake news e sonham com carreiras de influencer, porque querem impacto e reconhecimento imediato e fama.

Ciência = Pessoas normais. Quando o aluno disse que “pareço normal”, percebi algo fundamental: a comunicação científica tem o poder de derrubar algumas destas muralhas. Mas o que significa ser normal? E mais importante, como quebramos essas barreiras para inspirar os jovens a verem a ciência como algo acessível e fascinante? Ou os mais graúdos a compreenderem temas complexos e aceitarem o progresso científico? Mostrar que os cientistas têm hobbies, dúvidas, humor é mostrar que a ciência está acessível e que investigadores não são seres especiais e diferentes, especialistas inalcançáveis e alguém de quem se deve desconfiar.

A ciência resolve problemas da sociedade e contribui para o progresso da humanidade e também pode ser empolgante, pode divertir e pode inspirar. Só precisa de boas histórias, de pessoas que as saibam contar, de vozes que sejam humanas. Comunicar ciência não é só explicar conceitos complexos ou mostrar gráficos. É transformar o que parece inatingível em algo próximo, humano e inspirador e mostrar que, atrás de cada........

© SOL