Um país atascado
Nas últimas semanas, tivemos vários sinais do bloqueio em que o país se encontra. Política, económica e socialmente. Não é de agora, mas, enquanto a economia foi crescendo e os cofres do Estado estavam forrados de dinheiro, pudemos dar-nos ao luxo de andar em eleições de seis em seis meses e a brincar à política. Como se os eleitores fossem apenas figurantes de uma novela onde os atores políticos se digladiam pelo papel principal.
O atual quadro parlamentar é o que é. Desde logo, uma prova evidente da desconfiança crescente do eleitorado em relação aos dois partidos do regime e de um sentimento de revolta que vai crescendo a cada ato eleitoral. Mas o bloqueio político é evidente. Se, à direita, o Governo tem um partido em que não pode confiar, à esquerda tem outro com uma profunda crise de identidade. O ‘não é não’ transformou-se num slogan vazio, mas o ‘não é sim’ também já não garante nada.
Nos últimos dois anos, Luís Montenegro foi gerindo o calendário eleitoral. Distribuiu dinheiro por tudo o que era corporação, fez baixas de impostos mixurucas como se fossem grandes reformas fiscais e foi oferecendo complementos de reforma cirúrgicos, sempre a pensar na eleição seguinte. Sempre a sonhar com uma maioria absoluta que os eleitores fizeram sempre questão de lhe negar. E agora? Agora que o dinheiro está a acabar e a despesa pública a subir de forma consistente? Agora que os grandes anúncios de obras públicas que vinham de trás........
