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A Europa não pode ter medo

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04.09.2026

Há uma guerra na Europa que já dura há mais de quatro anos e há uma Europa que continua a comportar-se como se estivesse perante um problema diplomático. Desde a invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, a União Europeia tem anunciado sanções, pacotes de ajuda, declarações de condenação e novas sanções, numa sucessão quase burocrática de medidas que parece não produzir em Vladimir Putin o efeito que seria desejável. O Kremlin continua a testar os limites da Europa porque percebeu aquilo que muitos dirigentes europeus ainda parecem não compreender: a Europa tem medo de ser firme.

A chamada guerra invisível que a Rússia estará a conduzir em território europeu é apenas mais um sinal dessa percepção. Sabotagem, espionagem, desinformação, recrutamento de agentes através das redes sociais, ataques contra infra-estruturas e operações clandestinas são instrumentos de uma estratégia que procura atingir os países europeus sem desencadear uma resposta que Moscovo considere demasiado perigosa. O caso de Leipzig, com a alegada tentativa de atacar um avião ucraniano através de um drone carregado de explosivos, deve ser encarado precisamente neste contexto. A guerra já não está apenas na Ucrânia: há uma confrontação com a Europa que decorre todos os dias, mesmo quando muitos europeus preferem não a reconhecer.

A resposta europeia tem sido demasiado branda. É certo que a União Europeia aplicou sanções económicas de enorme dimensão, apoiou financeiramente a Ucrânia e forneceu armamento, mas fê-lo frequentemente de forma lenta, hesitante e condicionada pelo receio de provocar uma escalada. Enquanto isso, a Rússia adaptou a sua economia, reforçou a indústria militar, aprofundou relações com outras potências e continuou a financiar uma guerra que destrói cidades ucranianas e mata milhares de pessoas. Não é possível querer acabar com uma guerra sem convencer o agressor de que continuar a lutar terá um preço incomportável.

Vladimir Putin não interpreta a moderação europeia como moderação. Interpreta-a como fraqueza. É uma distinção fundamental que a política........

© Sapo