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Interferência eleitoral, resiliência digital e defesa da Democracia: a pergunta que Portugal ainda não fez a si próprio

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31.08.2026

A 16 de julho de 2026, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de ter acedido ilicitamente a dados eleitorais de cerca de 220 milhões de eleitores norte-americanos naquilo a que no seu estilo bombástico e espalhafatoso classificou como o "maior comprometimento de dados eleitorais da história". Pequim respondeu que a acusação é "inteiramente fabricada" (uma negação reiterada mas totalmente in-crível).

Vários órgãos de comunicação social internacionais notaram, entretanto, que os documentos desclassificados pela Casa Branca não incluem provas seguras de que houve manipulação efetiva dos sistemas eleitorais nos EUA. O episódio surge, ainda por cima, num momento de tensão comercial e política entre Washington e Pequim, às vésperas de uma visita de Estado prevista para setembro e num cenário muito sombrio para os republicanos nas próximas intercalares: um contexto que, por si só, aconselha prudência antes de tirar conclusões e que nos recorda que Trump poderá usar o pretexto de uma "interferência estrangeira" para procurar condicionar os distorcer os resultados das próximas eleições a seu favor.

Não nos cabe opinar sobre a veracidade de uma alegação política feita a milhares de quilómetros de distância, sem acesso à informação classificada em que esta, supostamente, assenta. Mas seria um erro tratar este episódio como um mero ruído de fundo da — muito turbulenta — política americana, que nos é, absolutamente irrelevante. O caso, verdadeiro ou não, coloca em cima da mesa uma pergunta que não depende do seu desfecho: os sistemas eleitorais e a infraestrutura de comunicação democrática na Europa e em Portugal estão preparados para resistir a tentativas de interferência estrangeira: sejam elas de origem estatal ou não estatal?

É esta pergunta, e não qualquer acusação dirigida a um Estado ou organização em concreto, que deveria orientar a resposta das autoridades europeias e portuguesas.

A União Europeia já dispõe de instrumentos relevantes (a Diretiva NIS2, a ENISA,........

© Sapo