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Entre Budapeste e Minsk: Porque é tão difícil confiar na Rússia numa paz para a Ucrânia

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16.03.2026

Compreendo o raciocínio de que, a dado momento, a Ucrânia possa ser confrontada com a necessidade de aceitar algum tipo de compromisso territorial ou político para terminar a guerra. Esse compromisso poderia assumir várias formas: autonomia regional alargada, modelos federais ou confederais, neutralidade garantida internacionalmente ou até estruturas de soberania partilhada com as regiões secessionistas semelhantes às existentes entre os países da União Europeia. Em teoria, todas estas soluções fazem parte do repertório clássico da diplomacia quando um conflito militar chega a um impasse como o actual (apesar dos ganhos territoriais recentes da Ucrânia).

O problema central é que estas soluções dependem sempre de uma condição essencial: confiança mínima entre as partes e garantias externas credíveis. E é precisamente aqui que o cenário se torna extremamente frágil quando se analisa o comportamento recente da Rússia.

O primeiro exemplo histórico relevante deste falhanço é o Memorando de Budapeste de 1994. Após o colapso da União Soviética, a Ucrânia herdou o terceiro maior arsenal nuclear do mundo. Em troca da sua renúncia a essas armas e da adesão ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, recebeu garantias de segurança da Rússia, dos Estados Unidos e do Reino Unido. Esses compromissos incluíam o respeito pela soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia. Vinte anos depois, em 2014, a Rússia anexou a Crimeia e iniciou uma intervenção militar indireta no Donbass. Este episódio destruiu, na........

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