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Cidadania Zero? O que os furtos no espaço público nos ensinam sobre civismo em Lisboa

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monday

Há uma pergunta que voltamos a fazer a nós próprios sempre que instalamos qualquer coisa no espaço público de Lisboa: quanto tempo vai durar até desaparecer? Depois de três experiências distintas conduzidas ao longo dos últimos meses e de mais uma quase quatro anos a testar formas de partilha e recolha de livros em vários bairros da cidade de Lisboa, começo a achar que a resposta a essa pergunta diz mais sobre nós, enquanto cidade, do que qualquer estudo sociológico alguma vez poderá dizer...

Comecemos pelos dispositivos de recolha digna de embalagens. Depois de obtida a devida permissão de uma autarquia local, a associação que fundei em 2018, a Vizinhos em Lisboa instalou em alguns locais alguns exemplares idênticos aos que existem noutros países europeus com sistemas de depósito "Volta", como a Alemanha, a Holanda, a Bélgica ou a Noruega, com o objetivo de perceber que tipo de instalação funciona, quais os melhores locais e se estes dispositivos cumprem, de facto, o seu propósito: permitir que quem consome uma bebida deixe a embalagem à vista, para que outra pessoa a recolha e a leve a uma máquina de recolha automática (RVM) da Volta, recuperando o valor do depósito. É um gesto pequeno, mas com consequências práticas: menos garrafas partidas no chão, menos latas nos canteiros, e uma oportunidade de rendimento para quem anda pela cidade a recolher embalagens.

Os resultados foram, no mínimo, contraditórios. Os primeiros dispositivos, construídos a partir de suportes plásticos reaproveitados de outras finalidades, foram furtados de madrugada ao fim de um ou, no máximo, dois dias. Tentámos depois um modelo impresso em impressora 3D, reproduzindo uma "pfandring" alemã, e também esse desapareceu em 24 horas. Temos um segundo........

© Sapo