Uma fábrica de convertidos: o suspiro final dos jornais
A morte lenta do modelo económico da imprensa tradicional não se mede já apenas nos balanços contabilísticos a encarnado, redações delapidadas ou bancas de jornais a fechar portas. O seu custo mais ruinoso e corrosivo mede-se na capitulação intelectual do jornalismo. Encurralados pela perda da receita publicitária para os gigantes tecnológicos e incapazes de sustentar redações robustas e seniores, a maioria dos órgãos ditos “de referência” viram-se empurrados para uma lógica desesperada de sobrevivência: a monetização do engajamento tribal. Afinal, com vista a manter os poucos subscritores digitais que ainda pagam, tornou-se imperativo alimentar-lhes a indignação diária e validar-lhes os preconceitos ideológicos.
É deste ecossistema fragilizado e desprovido de rigor analítico que nascem manchetes como a que na segunda-feira proclamava, num dos tais diários de referência, que os políticos que alteram as leis do arrendamento detêm “mais de mil imóveis”. O número foi desenhado para chocar, apelar ao ressentimento social e fornecer munição........
