Da geração "mais bem preparada" aos piores da OCDE: capitulámos pelo facilitismo. E o digital não teve culpa nenhuma
Durante quase uma década, ouvimos o poder político repetir, com triunfalismo, um refrão supostamente reconfortante: Portugal tinha, finalmente, conseguido formar a “geração mais bem preparada de sempre”. António Costa, enquanto primeiro-ministro, foi dos que mais o afirmaram nos últimos anos. Só que os resultados do PISA vieram agora demonstrar que essas palavras eram (mais) uma ficção administrativa. O país foi empurrado para um recuo histórico na Leitura e na Matemática – os alunos estão ao nível dos seus pares de há 20 anos.
O descalabro é tal que até o ex-ministro João Costa veio a público assumir responsabilidades pelas opções tomadas desde 2016. Um ato que só lhe ficou bem, em especial por ser raríssimo num político – e ainda menos comum vindo da sua área política, tendo em conta a História recente e de todo o século XX. Mas de nada resolve aos rapazes e raparigas que, acabada a escolaridade, mal sabem ler, escrever e fazer contas.
João Costa foi, claro, das honrosas exceções. Como sempre, apressaram-se a surgir os bodes expiatórios do costume. Comecemos pelo mais risível: a tentativa de culpar a Inteligência Artificial pelo colapso das aprendizagens. Bastaria um exercício de aritmética elementar........
