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Amodei quer ser um dos novos tipógrafos do Rei. Para não ter de pagar a conta

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A súbita eclesiástica conversão dos barões industriais à moderação moral deve sempre ser recebida com a cautela de quem não nasceu nem ontem, nem anteontem. Quando Dario Amodei, líder da Anthropic, veio a público, este fim de semana, com o manifesto We Must Pace the Frontier, e reforça este argumentário numa aparição dominical na CBS, a clamar pelo travão regulatório do Estado à IA, qualquer audiência menos atenta (ou mais sedenta de histórias com heróis invulgares) terá visto ali o voluntarismo desinteressado de um criador horrorizado com a sua própria criatura.

Mas bastará raspar a camada de verniz ético para encontrar uma realidade muito mais rasteira: o maior problema da tecnologia de ponta, neste momento, não é ela estar prestes a tornar-se omnipotente, mas o facto de estar a embater violentamente na física e nas folhas de cálculo.

Basta verificar a precisão cirúrgica desta crise de consciência, e quem exatamente é nela apanhado: Amodei e Altman, ou seja, Anthropic e OpenAI, duas empresas que não dispõem de recursos de hardware próprios para responder às necessidades dos clientes. Ambas muito dependentes da capacidade de terceiros, como a AWS e a Microsoft. E Musk, cuja capacidade de resposta da sua xAI ainda não conseguiu acompanhar o nível da concorrência.

Vamos à enumeração dos factos: ao longo dos últimos três anos, os grandes laboratórios de Inteligência Artificial alimentaram um ciclo frenético de promessas demiúrgicas para sugar centenas de milhares de milhões de dólares em capital de risco. Chegou o momento em que o mundo começou a cobrar a fatura. A rede elétrica recusa-se a fornecer gigawatts de um dia para o outro, a termodinâmica impõe limites severos à dissipação de calor nos centros de dados, o corpus de texto humano de........

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