O futuro é o esconderijo de quem não faz
Há uma frase que agosto ouve mais do que qualquer outro mês: "Quando voltar de férias, trato disso."
Não há nada de errado em dizê-la. Às vezes, é apenas bom senso. Ninguém consegue viver sempre em esforço, e descansar não é desistir. Há decisões que ganham com alguma distância e há cansaços que precisam de silêncio. As férias existem também para isso, para devolver clareza a quem passou demasiado tempo a funcionar por obrigação.
Mas aquela frase também pode ser uma maneira simpática de empurrar o assunto com a barriga. O futuro tem essa vantagem: ainda não nos pede provas.
"Vou tratar." "Vou ligar." "Vou resolver." "Para o ano será diferente."
Conheci, na vida política, uma pessoa assim. Prometia muito. Dizia que, até determinada data, teria chegado a um certo ponto, resolvido um problema ou avançado com um projeto. O prazo chegava e tudo continuava no mesmo lugar. E não me parecia estar a mentir. Falava com convicção e acredito que queria mesmo cumprir. Só que, entre querer e mexer-se, ganhava quase sempre o adiamento.
Foi aí que percebi que boas intenções repetidamente não cumpridas deixam de ser uma qualidade. Tornam-se uma forma de........
