Entre o menos mau e a falência da escolha
Já o sabíamos antes, eu próprio o escrevi, estas eleições dificilmente nos dariam uma escolha clara. O que se confirmou ontem foi aquilo que muitos temiam, não vamos votar por convicção, vamos votar por exclusão. Para muitos portugueses, a segunda volta será o exercício desconfortável de escolher o candidato menos mau, e isso, por si só, diz muito sobre o estado da nossa democracia.
Mas convém dizê-lo sem rodeios, o problema não começou ontem. Começou antes, com falhas claras de estratégia dos candidatos e dos partidos. Houve tempo para ler o país, para perceber o cansaço, a fragmentação e a vontade de algo diferente. Em vez disso, insistiu se em candidaturas isoladas, fechadas sobre si próprias, mais preocupadas em preservar identidades do que em construir convergências. O resultado foi previsível, uma segunda volta pobre em alternativas e rica em dilemas morais.
A lógica do menos mau não é sinal de maturidade democrática, é sinal de falência. Quando o voto deixa de ser um ato de esperança e passa a ser um ato defensivo, algo se perdeu pelo caminho. Perdeu se porque quem tinha responsabilidade política preferiu proteger espaços partidários a construir soluções reais para o país. Preferiu marcar posição a criar........
