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TAP: Sessenta anos de Rio e quantos de Tordesilhas?

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17.06.2026

No dia 17 de junho de 1966, a TAP realizou o seu primeiro voo a jato sem escalas entre Lisboa e o Rio de Janeiro com o Boeing 707 “Santa Cruz”, encurtando uma distância que durante séculos foi medida em semanas de navegação e, mais tarde, em longas escalas intermédias. Sessenta anos depois, a ligação ao Brasil continua a ocupar um lugar central na estratégia da TAP e é apresentada como um dos principais ativos da companhia no processo de reprivatização minoritária em curso.

Durante muito tempo, o sucesso da companhia portuguesa naquele mercado foi incontestável e a TAP soube aproveitar a oportunidade histórica criada pelo desaparecimento da VARIG e pelo vazio repentino nas ligações entre o Brasil e a Europa. O problema é que as oportunidades históricas relacionadas com o Brasil (e outras ex-colónias) não duram para sempre. O Brasil mudou, a sua aviação e a sua ambição mudaram e a concorrência também mudou. Do lado de lá, a LATAM consolidou-se como um dos maiores grupos da América Latina; a Azul expandiu a sua rede intercontinental e a GOL vai lançar-se nos voos de longo curso, incluindo Lisboa. Do lado de cá, Air France-KLM, Grupo Lufthansa e IAG reforçaram progressivamente a sua presença no mercado brasileiro.

Quem observa hoje a corrida à TAP percebe que nenhum dos grandes grupos europeus precisa da TAP para entrar nas rotas lucrativas do Brasil: a Air........

© Sapo