RTP cala a cultura que não lhe agrada
Há cinco anos que a Rádio e Televisão de Portugal (RTP) não transmite um único espectáculo tauromáquico. A justificação, agora oficializada pela Provedora do Telespectador, Clara Almeida Santos, revela, sem rebuço, o seu enviesamento: a tauromaquia seria uma "questão fraturante" na sociedade portuguesa, geradora de "milhares de queixas", e a sua não transmissão serviria melhor os princípios da "universalidade e da coesão nacional".
Com o devido respeito, mas com a frontalidade que o serviço público exige, é preciso dizer: esta argumentação é não apenas frágil do ponto de vista lógico, mas gravemente lesiva do pluralismo cultural a que a RTP está vinculada por lei. Pior: ao decidir pela não transmissão, a RTP toma partido contra uma expressão cultural legal, enraizada, e que mobiliza centenas de milhares de portugueses em 80 municípios espalhados por todo o país.
Desde quando é que a existência de divergência social justifica a exclusão de um tema do espaço público? O que........
