A emailite generativa
A short declaration of love to AI: I love you, but we need to talk
A inteligência artificial veio para nos poupar tempo. É o que se diz. E é bonito. Quase comovente. Um dia destes ainda havemos de chorar diante de um botão que diz “gerar resposta” como quem chora diante de um filho que finalmente aprendeu a atar os sapatos. O problema é que, como todos os filhos prodigiosos, este também faz disparates. E nós, babados, deixamos.
A primeira vítima foi o conteúdo. Já havia demasiado, claro. Textos, posts, comentários, newsletters, relatórios, resumos, contra-resumos, vídeos sobre textos, textos sobre vídeos e pessoas a explicar em sete pontos aquilo que podia ter sido resolvido com um encolher de ombros. Mas agora temos ajuda. A máquina escreve. A máquina expande. A máquina melhora. A máquina acrescenta. Sobretudo, a máquina acrescenta.
Antigamente, um email começava assim: “Olá, podes enviar-me o ficheiro?” Era uma frase simples, quase rude na sua eficiência. Hoje, com a ajuda da inteligência artificial, o mesmo pedido pode vir embrulhado em quatro parágrafos de cortesia preventiva, empatia institucional e entusiasmo moderado. “Espero que este email te encontre bem.” Nunca encontra. Encontra-nos sempre a meio de outro email, que também espera encontrar-nos bem.
A inteligência artificial generativa está a aumentar não só a quantidade de coisas que consumimos, mas também o tamanho das coisas que somos obrigados a fingir que consumimos. Emails que........
