menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Portugal com os olhos no horizonte: O otimismo de um povo

13 0
11.03.2026

Por Clélia Brás, fundadora da Clélia Brás Advogados Boutique Law Firm

Portugal vive da sua história, da sua língua que atravessa oceanos, da curiosidade que nos empurra para fora e da capacidade de recomeçar que nos mantém de pé cá dentro. Vive da ciência que se faz nos laboratórios, da tecnologia que se inventa em garagens e incubadoras, da agricultura que se reinventa com sustentabilidade, da cultura que persiste – do fado ao cinema, da literatura à arquitetura – e das pequenas grandes empresas que, discretamente, exportam valor e talento. O Turismo é importante, sim, e deve ser acarinhado, qual vitrina do melhor que temos; mas é apenas uma face de um País que se quer completo, plural e ambicioso.

Portugal vive da capacidade de transformar conhecimento em valor, de políticas públicas focadas na produtividade e na internacionalização, e de uma diáspora que multiplica oportunidades. A economia real está também na indústria, na tecnologia, na agricultura de precisão, nas exportações e na ciência.

Em metas estratégicas recentes, o Estado assumiu reduzir o IRC dos atuais 21% para 15% em três anos, alavancando investimento e competitividade, enquanto reforça exportações e reindustrialização. Esta trajetória insere-se nas Grandes Opções 2024-2028, que apontam a um país “mais rico, inovador e competitivo” através de menos impostos, simplificação administrativa (princípio “only once”) e programas de internacionalização e capitalização empresarial. Na frente das startups, o Estado alocou 125 milhões de euros do PRR a startups e incubadoras, e definiu como objetivo duplicar indicadores-chave do ecossistema (número de startups, emprego e investimento captado).

A internacionalização tem um quadro próprio: o Programa Internacionalizar 2030 define metas como exportações a 53% do PIB até 2030, aumento do número de mercados-alvo por empresa e reforço de IDE e do investimento português no exterior. O programa estrutura eixos de promoção externa, captação de investimento, financiamento e redução de barreiras, incluindo nearshoring pós-pandemia e utilização de autorizações de residência para atividade de investimento em regiões de baixa densidade.

Há uma energia muito própria em Portugal: uma mistura de sobriedade e audácia. Somos um povo que sabe esperar, mas que não se rende. Nos polos universitários, nas empresas tecnológicas, nos centros de investigação, a inovação já não é exceção — é rotina. De Braga a Faro, do interior ao litoral, multiplicam-se projetos que provam que o futuro não está só nas praias e nas cidades históricas, mas também na indústria inteligente, na transformação digital e na economia verde. O País aprende depressa quando aposta — talvez porque sempre fomos bons a adaptar-nos, desde as caravelas até às startups.

Em capitalização e inovação empresarial, foi criado o Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC), gerido pelo Banco Português de Fomento, para financiar projetos de reindustrialização, IA nas PME, defesa e segurança (dupla utilização) e crescimento de startups. O regime observa o RGIC e o MRR, com intensidades máximas de apoio definidas por categoria (auxílios regionais, consultoria às PME, projetos de I&D, etc), oferecendo subvenções que reduzem custos de investimento e aceleram produtividade .

Na leitura macro, as projeções oficiais evidenciaram que o crescimento recente assentou no dinamismo do investimento e das exportações (com contributos positivos da procura interna e externa, apesar da volatilidade internacional), e que o emprego recuperou com descida sustentada da taxa de desemprego, favorecido por fundos europeus e execução do PRR 2.3.

Portugal é um país de talento com pés na sua terra e olhos no mundo. O nosso otimismo é disciplinado: assenta em metas mensuráveis, incentivos fiscais que libertam investimento, programas que conectam empresas a mercados e tecnologia, e na força de uma diáspora que investe, abre portas e regressa com conhecimento.

O otimismo, para Portugal, não é ingenuidade – é estratégia. É olhar o que funciona e fazer crescer; é corrigir com seriedade o que falha; é investir com critério; é abrir-se ao mundo sem perder a identidade. Temos instituições sólidas, talento reconhecido internacionalmente, uma localização privilegiada, estabilidade, criatividade e uma sociedade civil cada vez mais exigente. Se continuarmos a valorizar a educação, a ciência, a cultura e o empreendedorismo, se removermos barreiras burocráticas e alimentarmos a meritocracia, Portugal afirmará – ainda mais – o seu lugar no mundo.


© Sapo