Portugal com os olhos no horizonte: O otimismo de um povo
Por Clélia Brás, fundadora da Clélia Brás Advogados Boutique Law Firm
Portugal vive da sua história, da sua língua que atravessa oceanos, da curiosidade que nos empurra para fora e da capacidade de recomeçar que nos mantém de pé cá dentro. Vive da ciência que se faz nos laboratórios, da tecnologia que se inventa em garagens e incubadoras, da agricultura que se reinventa com sustentabilidade, da cultura que persiste – do fado ao cinema, da literatura à arquitetura – e das pequenas grandes empresas que, discretamente, exportam valor e talento. O Turismo é importante, sim, e deve ser acarinhado, qual vitrina do melhor que temos; mas é apenas uma face de um País que se quer completo, plural e ambicioso.
Portugal vive da capacidade de transformar conhecimento em valor, de políticas públicas focadas na produtividade e na internacionalização, e de uma diáspora que multiplica oportunidades. A economia real está também na indústria, na tecnologia, na agricultura de precisão, nas exportações e na ciência.
Em metas estratégicas recentes, o Estado assumiu reduzir o IRC dos atuais 21% para 15% em três anos, alavancando investimento e competitividade, enquanto reforça exportações e reindustrialização. Esta trajetória insere-se nas Grandes Opções 2024-2028, que apontam a um país “mais rico, inovador e competitivo” através de menos impostos, simplificação administrativa (princípio “only once”) e programas de internacionalização e capitalização empresarial. Na frente das startups, o Estado alocou 125 milhões de euros do PRR a startups e incubadoras, e definiu como objetivo duplicar indicadores-chave do ecossistema (número de startups, emprego e investimento captado).
A internacionalização tem um quadro próprio: o Programa Internacionalizar 2030 define metas como exportações a 53% do PIB até 2030, aumento do número de mercados-alvo por empresa e reforço de IDE e do investimento português no exterior. O programa estrutura eixos de promoção externa, captação de investimento, financiamento e redução de barreiras, incluindo nearshoring pós-pandemia e utilização de autorizações de residência para atividade de investimento em regiões de baixa densidade.
Há uma energia muito própria em Portugal: uma mistura de sobriedade e audácia. Somos um povo que sabe esperar, mas que não se rende. Nos polos universitários, nas empresas tecnológicas, nos centros de investigação, a inovação já não é exceção — é rotina. De Braga a Faro, do interior ao litoral, multiplicam-se projetos que provam que o futuro não está só nas praias e nas cidades históricas, mas também na indústria inteligente, na transformação digital e na economia verde. O País aprende depressa quando aposta — talvez porque sempre fomos bons a adaptar-nos, desde as caravelas até às startups.
Em capitalização e inovação empresarial, foi criado o Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade (IFIC), gerido pelo Banco Português de Fomento, para financiar projetos de reindustrialização, IA nas PME, defesa e segurança (dupla utilização) e crescimento de startups. O regime observa o RGIC e o MRR, com intensidades máximas de apoio definidas por categoria (auxílios regionais, consultoria às PME, projetos de I&D, etc), oferecendo subvenções que reduzem custos de investimento e aceleram produtividade .
Na leitura macro, as projeções oficiais evidenciaram que o crescimento recente assentou no dinamismo do investimento e das exportações (com contributos positivos da procura interna e externa, apesar da volatilidade internacional), e que o emprego recuperou com descida sustentada da taxa de desemprego, favorecido por fundos europeus e execução do PRR 2.3.
Portugal é um país de talento com pés na sua terra e olhos no mundo. O nosso otimismo é disciplinado: assenta em metas mensuráveis, incentivos fiscais que libertam investimento, programas que conectam empresas a mercados e tecnologia, e na força de uma diáspora que investe, abre portas e regressa com conhecimento.
O otimismo, para Portugal, não é ingenuidade – é estratégia. É olhar o que funciona e fazer crescer; é corrigir com seriedade o que falha; é investir com critério; é abrir-se ao mundo sem perder a identidade. Temos instituições sólidas, talento reconhecido internacionalmente, uma localização privilegiada, estabilidade, criatividade e uma sociedade civil cada vez mais exigente. Se continuarmos a valorizar a educação, a ciência, a cultura e o empreendedorismo, se removermos barreiras burocráticas e alimentarmos a meritocracia, Portugal afirmará – ainda mais – o seu lugar no mundo.
