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Que se passa por detrás daquelas janelas?

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13.03.2026

Antes de passarmos as noites a ver televisão, ou a adormecer frente a ela, que fazíamos? Muitos passeavam pela rua, observavam o que se passava à sua volta, eventualmente davam uma espreitadela algures. 

Foi o que me aconteceu, estas janelas iluminadas, convenientemente tapadas, por onde passei uma noite destas, despertaram a minha curiosidade. Que se passará ali?

Espreitar faz parte da natureza humana. Quando olhamos para um quadro ou uma fotografia, espreitamos a imagem que está à nossa frente, ou imaginamos o que ela sugere? Quando vemos a cortina que tapa a janela da casa do vizinho, pensamos no padrão do tecido ou naquilo que ele tapa? Na realidade, a  rua pode ser melhor do que um filme.

Por falar nisso, foi no ano do meu nascimento, 1954, que Alfred Hitchcock realizou o filme A Janela Indiscreta, protagonizado por James Stewart, que desempenhava o papel de um homem temporariamente imobilizado numa cadeira de rodas e que passa o seu tempo, a partir da sua própria janela, a espreitar a casa dos vizinhos, acabando por descobrir um crime. Hitchcock combinou o voyeurismo com a curiosidade e encontrou em James Stewart o ator ideal para dar corpo ao impulso humano de observar a vida alheia sem ser visto.

O filme desenrola-se não só em torno daquilo que Stewart espreita, mas também daquilo que ele não vê, mas imagina. Em cada janela do prédio em frente Hitchcock oferece a James Stewart imagens de solidão, de rotina ou de tensão conjugal e deixa tudo o resto à sua imaginação.

Sinto o mesmo muitas vezes quando olho para uma janela alheia. Quem  nunca tiver pecado, que atire a primeira pedra…

Estratégias de comunicação// Manuel Falcão escreve sempre à sexta-feira, no SAPO

Os Pensamentos Ociosos são uma espécie de diário, com periodicidade semanal, em que Manuel Falcão deixa reflexões e desabafo, sempre à sexta-feira, no SAPO.


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