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Somos imperfeitos. E então?

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13.02.2026

Era quarta-feira. Chovia copiosamente, o céu estava pesado, e a noite anterior tinha sido daquelas que parecem longas demais: trovoada, miúdos a acordar assustados, e até o gato — feroz durante o dia — decidiu procurar refúgio entre os lençóis.

São sete da tarde. O dia de trabalho foi intenso. Ainda há banhos por dar, jantar para preparar e mochilas para organizar para amanhã. Os miúdos discutem por causa de um caranguejo de peluche que, por razões que escapam à lógica adulta, se tornou subitamente o centro do universo.

Exausto, pego no smartphone. Abro a rede social da moda.

Tudo parece perfeito — menos a minha vida.

As casas são minimalistas, as viagens épicas, as famílias serenas e compostas, como se o caos tivesse sido abolido por decreto. Cada imagem parece obedecer a uma ordem estética invisível, onde o imprevisto foi cuidadosamente editado e a fragilidade não tem lugar.

Quase sem dar conta, o telemóvel avisa: “Atingiu o limite diário de utilização.” Quinze minutos passaram. Os miúdos continuam no mesmo cenário, mas o tempo real avançou. Sou tentado a voltar ao ecrã, mas algo me trava. Fico a pensar no que acabou........

© Sapo