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A geração que pode mudar Portugal: se não se tornar apenas eficiente

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16.04.2026

Imaginei-me numa reunião. A proposta era simples: avançar com uma mudança estrutural que toda a gente sabia ser necessária. Os dados estavam ali, a análise era sólida. Houve um silêncio. Depois alguém disse: 'Não é o momento.' A reunião continuou. O assunto ficou em suspenso — como já tinha ficado no trimestre anterior. E no anterior a esse.

Saí dali a pensar que aquilo não era uma falha de análise. Era uma falha de liderança. E que esta falha não é nova, nem é exclusiva das empresas. É o padrão que Nuno Palma descreve quando fala do atraso português: não é uma fatalidade geográfica, não é culpa da dimensão do país. É o resultado acumulado de escolhas que, repetidamente, preferiram o facilitismo ao risco da reforma.

Em 2026, ao celebrarmos os 50 anos da Constituição que fundou a nossa democracia, vale a pena fazer esta pergunta sem romantismo: que tipo de pessoas estamos a formar — nas organizações, nas escolas, nas famílias — para tomar as decisões que continuamos a adiar?

O eclipse do estadista e a tirania do imediato

Os líderes das décadas de 70 e 80, independentemente da cor política, partilhavam algo que hoje é mais raro: a fortaleza. Olho para as fotografias dos signatários da Constituição de 1976 e vejo faces marcadas pela responsabilidade, não pela gestão da imagem. Pensavam a vinte ou trinta anos, não por romantismo, mas porque percebiam que o tempo político não se esgota no ciclo eleitoral.

Hoje, a liderança vive comprimida no imediato. A pressão do ciclo mediático e das redes sociais molda decisões. Reformas estruturais são adiadas porque o custo político é imediato e o benefício é difuso. Governa-se, muitas vezes, para evitar desgaste, não para produzir transformação.

Confunde-se prudência com hesitação. Mas a prudência, no sentido clássico do........

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