Resiliência climática e infraestrutural: onde nos devemos focar
Portugal viveu dois testes ao nosso sistema coletivo – o apagão elétrico de abril de 2025 e a recente sucessão de tempestades – que expuseram vulnerabilidades estruturais e operacionais no fornecimento de energia, no abastecimento de água e na proteção de cheias, o que torna imperativo refletir sobre o nosso estado atual de preparação para resistir a situações excecionais, mas previsíveis.
Enquanto engenheiro hidráulico, foco-me primeiro onde podemos agir com impacto imediato para aumentar a resiliência. Nas cheias, há que distinguir as cheias fluviais lentas das grandes bacias – como as que se verificaram no Sado, Mondego e Tejo, em que inundações são anunciadas com antecedência – das cheias pluviais rápidas de pequenas bacias, com tempos de concentração de poucas horas, típicas das zonas urbanas.
As cheias das grandes bacias têm enormes caudais e vastas áreas inundadas, mas as subidas do nível da água são lentas e anunciadas com tempo suficiente para permitir a deslocação de pessoas e bens para locais seguros. São eventos excecionais, que........
