Miséria à beira-mar no país dos almoços grátis
Há no cantinho da Europa um povo que acha que tudo merece sem lhe caber pagar coisa nenhuma. E que se habituou a exigir borlas aos privados, que pelas suas contas deviam servir todas as suas vontades sem pedir contrapartidas — pouco importa que com isso tenham despesa, que "os bandidos já nos levam muito" — e anda permanentemente de mão estendida para o Estado, sem entender ou sem querer saber que cada cêntimo que "o Estado" gasta é o próprio povo que financia. Paga em demasia, claro, porque essa bolsa é gerida à larga, sem preocupações de eficiência ou competência por governos, que estarão sempre mais focados em ficar bem na fotografia eleitoral imediata do que interessados em responsabilizar-se pela dor induzida, que é via única para a mudança.
O problema não é nosso exclusivo, alarga-se a praticamente todos os da União Europeia, viciados em subsidozinhos sem noção de que a cada cheque lhes rouba autonomia, mas a pedinchar Portugal consegue ser o melhor da turma. Quase tão bom quanto em iliteracia financeira e incapacidade de ver futuro mais distante do que a hora de chegar a casa e se espojar no sofá.
Ou não fosse este o país que ainda acredita que há almoços grátis — leia-se, que as portagens da Via do Infante são agora gratuitas, quando a verdade é que passámos todos a pagá-las mesmo que nunca cheguemos ao Algarve. Afinal, o dinheiro para manter a estrada em condições tem de vir de algum lado... Não seria mais lógico e benéfico para todos impor-se ao Estado que trouxesse a N125 para o século XXI?
Mas os que tudo querem de bandeja e de borla não veem que o pagamento dos péssimos serviços de saúde, educação, previdência, segurança e outros que nos disponibilizam são financiados pelo........
