Austrália vai à Eurovisão e o Canadá tem um pé na UE: assim se vê o estado da (des)União Europeia
Perante os "desafios excecionais e mudanças incríveis" que pressionam o mundo atual, "a Europa surge mais forte e mais independente". A afirmação de Ursula von der Leyen, em Estrasburgo, demonstra bem o estado de alienação em que vivem os líderes da União Europeia.
Num momento em que a União se estilhaça política e socialmente e se encontra ameaçada em todas as frentes — coesão, dinâmica económica e industrial, independência energética, defesa —, convivendo no próprio continente com um inimigo especialmente hostil, vem a presidente da Comissão, no discurso do Estado da União, destacar a força de um bloco que cada vez menos o é, e deliberadamente provocar o aliado mais importante à sobrevivência europeia, promovendo o Canadá a "primeiro país associado da UE".
Sem pôr em causa que é condenável a postura errática do atual presidente, cujas decisões têm tido graves consequências em todo o mundo, os Estados Unidos continuam a ser a peça mais fundamental para a segurança e a independência europeia, através da NATO. Num momento de tensão permanente como o atual, com ataques e ameaças crescentes e ameaças iminentes, não serão certamente as forças armadas canadianas — um contingente de cerca de 70 mil homens, quase 20 vezes inferior ao da própria UE, ocupando o 28.º lugar no ranking militar........
