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O voo de domingo

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28.09.2026

No voo de domingo à noite para Zurique há famílias com crianças a dormir ao colo e homens na casa dos cinquenta a tentar que sacos do Continente caibam no compartimento de cima do avião. Nas conversas que se ouvem fala-se de obras, de quem adoeceu, de quando é o próximo agosto. A expressão brain drain, "fuga de cérebros", parece pertencer a outro sítio.

Eu vou no mesmo avião. Tenho vinte e poucos anos, um mestrado e um contrato numa consultora. Quando ouço o debate sobre a emigração portuguesa deste século, reconheço facilmente a minha história. A dos outros passageiros aparece menos.

Conheço bem a explicação: Portugal investiu na minha formação e outro país ficou com o resultado. Há razões para discutir isso, mas também me dá jeito ser descrito assim. Uma decisão que tomei pela minha vida e pelo meu futuro passa a ser uma prova de talento, uma perda que o país devia lamentar. Não tive de fazer muito para merecer essa importância; bastou ter saído com um diploma.

No final de 2025, a comunidade portuguesa na Suíça contava com cerca de 264 mil residentes permanentes e era a terceira maior........

© Sapo