Teodoro é um bom-garfo
O Professor Teodoro Ramalho é um bom garfo. A fome é má conselheira e Teodoro fica irascível se, pela matina, não toma os seus dois ovos beneditinos. O Professor tem flashes de memória da avó Amélia a ir buscar ovos frescos à palha das galinhas, no despertar alentejano. Hoje seria uma extravagância.
Teodoro aprecia pratos bem castiços. Tipo: pezinhos de porco de coentrada; bochechas de porco preto com migas alentejanas — com pão alentejano amanhecido, alho e azeite, e tudo acompanhado por um bom toucinho, ou morcela, ou chouriço; tomatada (uma espécie de açorda com tomate); peixinhos da horta; uma alheira; pataniscas de bacalhau com arroz de feijão-frade; sopa de cação — com o peixe marinado em alho, coentros e vinagre; gaspacho — sopa fria de vegetais (tomate, pepino, pimentão); favas com chouriço (Aí! José Cid!).
Registe-se o facto de que Teodoro não vira a cara a umas sardinhas assadas, nem a um choco frito. Especialmente se vier acompanhado por um vinho verde fresquinho.
Teodoro gosta de lugares simples para comer. Uma tasquinha está bem. Pousos onde o período pré-prandial possa ser preenchido com umas azeitonas, um queijinho fresco e um pão honesto. Nada de miminhos franceses. O ambiente deve ser rústico. Teodoro até aprecia os cartazes na parede com uma criança, um soldado e um cravo. Um dístico por cima do balcão a dizer:........
