Teodoro e o Funeral da Alvorada
O Professor Teodoro Ramalho acorda com a alvorada. Na Vila Berta, ela passeia pelas vidraças e pousa nas pálpebras do Professor. Os olhos despertam; a alma, porém, permanece dormente. Depois a alvorada foi esvoaçar nos telhados da Graça. Os olhos de Teodoro fitaram aquela princesa da manhã a flutuar nas calçadas. Adelgaçada, a alvorada fazia nascer do seu ventre matutino os primeiros pássaros.
Como são vivos os passarinhos enxotados pela alvorada! E como é vadia a alma de um homem! E como é infinita a doçura da preguiça ao amanhecer! E como é puro recomeçar o dia de alma lavada, passada a limpo. Nas asas da poesia.
Teodoro volta a olhar a alvorada. Vê-a morrer ligeiramente. Ficou pálida. Um vento fresco levantava as golas da manhã. As árvores no milagre da vida ofereciam à........
