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Teodoro e a Noite Frágil

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29.09.2026

O Professor Teodoro Ramalho tirou a mão do queixo e não pensou mais nisso. Enroscou-se no charuto — desatinamos tantas vezes — e pediu ao fósforo: — Dá-me lume.

Ficou algum tempo a olhar para a chama. Depois apagou-a. A vida é um fio frágil.

Teodoro escorregara da cama cedo. Contemplara no espelho o rosto sorridente, na incerteza dos seus passos em volta. Levou o olhar à janela. Tivera uma estranha vontade de dançar a mais nobre das danças nupciais com suas plumas cardeais.

O sol chegou aos subúrbios e foi-se. Teodoro desencanta os passos. Não quer adormecer. Cai a tarde escura. Na Vila Berta, as janelas começavam a acender-se como pirilampos. Teodoro pegou no chapéu Fedora e saiu para a noite em que o céu tinha um brilho mais forte e o sono parecia disposto a não vir.

Desceu devagar. As ruas estavam quase vazias. Vielas de luz nas horas brancas. Um vulto atravessou a rua. Teodoro brincou com o destino no seu passo inseguro. Caminhou. Frágil.  

Na Graça havia gente nas ruas. Um homem que não passava dum homem vulgar, mas que tinha a sorte de saborear o paraíso........

© Sapo