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Salvar 2026, preparar 2036

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29.09.2026

O problema não é só nosso. Aliás, desta vez até temos menos azar do que outros produtores europeus. A agricultura europeia tem dois problemas-chave este ano: inflação sobre os factores de produção, sobretudo a energia; e um desgraçado ano agrícola que arrasou a Europa. O que fazer quando tudo custa mais a produzir? E quando tudo o que se fez está a correr mal? O que fazer hoje, no imediato; e nos próximos anos.

Na União Europeia, os preços dos factores de produção agrícola aumentaram, em média, 4,7% no segundo trimestre de 2026 face ao mesmo período de 2025. O movimento é particularmente ingrato porque, no mesmo período, os preços dos produtos agrícolas caíram 5,8%. Portugal começou o ano numa posição relativamente mais favorável, mas esta subida dos combustíveis tem comido qualquer margem. A situação é dramática.

A inflação não se resolve com subsídios

Quando a inflação resulta de um choque de oferta, como a subida do preço do petróleo e os problemas no fornecimento de gás natural e de outros inputs essenciais à produção de fertilizantes associados à crise no estreito de Ormuz, a solução não é subsidiar genericamente a produção, nem manipular os preços finais. É, dizem os manuais, atuar sobre a oferta: reduzir os outros custos de produção, reduzir barreiras regulatórias e constrangimentos a outros mercados e à concorrência internacional. Os apoios directos, se forem politicamente obrigatórios, têm de servir apenas e só para mitigar as consequências distributivas da inflação. No espaço europeu podemos, eventualmente, pagar para manter alguma competitividade relativa. Mas pouco mais.

Alguns exemplos para animar a discussão: não devíamos falar apenas........

© Sapo