Portugal, REPMUS e ARTEX/OPEX, um laboratório exemplar
Os eventos REPMUS e ARTEX que em setembro e outubro transformam Portugal num dos polos mais relevantes de experimentação militar da NATO já têm historial.
O primeiro começou em 2010 e o segundo em 2023 e são já um marco obrigatório no campo da experimentação de soluções tecnológicas e sistemas inovadores desenvolvidos por empresas, universidades e centros de investigação com aplicação militar. Entre Troia, Sesimbra e o Campo Militar de Santa Margarida decorrem, quase em sucessão, dois exercícios que a imprensa nacional tende a tratar como notícias avulsas, mas que, lidos em conjunto, contam uma história bem mais significativa sobre o rumo que a defesa europeia está a tomar, e sobre o papel que Portugal pode, se souber aproveitá-lo, vir a desempenhar nela.
O REPMUS 26, organizado pela Marinha Portuguesa entre 31 de agosto e 25 de setembro, é hoje o maior exercício mundial de experimentação robótica e de sistemas marítimos não tripulados. Os números impressionam: mais de 1.500 participantes, 36 marinhas, mais de 60 empresas de investigação e desenvolvimento, 13 universidades, cinco entidades da NATO, mais de 300 sistemas não tripulados apoiados por 14 navios, numa área superior a 1.370 quilómetros quadrados. Leram bem? Os números falam por si, mas o dado verdadeiramente relevante não está só nos números, está de novo na presença de militares ucranianos, que voltaram a participar no exercício para colocar à prova os sistemas da Aliança através de ataques simulados com drones navais contra fragatas, submarinos e portos. Os especialistas ucranianos já tinham conseguido, na edição do ano passado, superar os meios NATO em todas as simulações realizadas, um resultado que não é surpreendente para quem acompanha a........
