O choque que aí vem: China e Europa
Em 2025, Xi Jinping tentou vender à Europa a imagem da China como potência responsável, a alternativa sensata a uma América hostil. No aniversário dos 50 anos de relações diplomáticas UE-China, convidou Bruxelas a "defender o multilateralismo" e a "opor-se à unilateralidade e ao bullying". Palavras bonitas, substância nenhuma: nenhuma concessão real sobre as práticas comerciais desleais que estão a corroer indústrias inteiras do continente. O primeiro-ministro Li Qiang, entretanto, despachou as preocupações europeias sobre um "China Shock 2.0" pedindo-lhes que se concentrassem antes na "China Opportunity 2.0". Bruxelas não comprou o argumento e com razão.
O primeiro choque chinês devastou têxteis, mobiliário e metais americanos após a adesão de Pequim à Organização Mundial do Comércio. O segundo será pior, e será europeu: automóvel, maquinaria, química, farmacêutica, energias verdes, o coração industrial do continente, sob fogo simultâneo, com perdas de emprego em massa. A resposta política está a endurecer-se. Paris propôs uma tarifa geral de cerca de 30% sobre importações chinesas; Berlim, hesitante durante anos, viu o chanceler Friedrich Merz sinalizar disponibilidade para agir; no mês passado, todos os líderes da UE excepto a Espanha encarregaram a Comissão de preparar opções concretas.
A complacência europeia tem uma década. Em 2015 Pequim publicou o plano Made in China 2025, que estabelecia como objectivo explícito destronar a liderança industrial europeia. Quase ninguém em Bruxelas levou o aviso a sério, os campeões europeus pareciam demasiado avançados para serem apanhados. Quando Trump abriu a primeira guerra comercial com Pequim, a Europa rejeitou o diagnóstico. Durante a administração Biden, Bruxelas preocupou-se mais com os subsídios do “Inflation Reduction Act” norte-americano do que com a concorrência chinesa. Entretanto, Pequim despejava biliões na construção metódica dos seus campeões........
