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O Futuro do Turismo em Portugal: Liderança, Qualificação e Inovação

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10.03.2026

O Turismo é um dos setores mais relevantes da economia nacional, com um contributo decisivo para o crescimento económico, o emprego e a projeção internacional do país. Contudo, o contexto global atual exige uma abordagem renovada, assente numa estratégia que responda aos desígnios identificados por todos aqueles com cargos de decisão a este nível. Com a garantia de que a competitividade que se pretende implementar não dependerá apenas da atratividade de visitantes, antes, e acima de tudo, da capacidade de gerar valor em torno do que podemos denominar como excelência operacional.

Nesse sentido, é crucial que todos os agentes compreendam que a consolidação de Portugal como um destino de referência implica uma visão integrada que articule áreas tão abrangentes, como políticas públicas, investimento privado, formação avançada e uma cultura de serviço orientada para os mais elevados padrões internacionais de qualidade.

Dessa forma, uma gestão bem-sucedida não pode descurar o necessário aproveitamento do talento que grassa entre nós. Só com a adequada qualificação das estruturas humanas que constituem as organizações é possível pensar o setor de forma sustentável. Algo que tem, imperativamente, de resultar do reforço da articulação entre escolas, universidades, empresas e entidades públicas; mas, também, da capacidade de atrair profissionais nacionais e internacionais altamente qualificados, de forma transversal a todas as áreas, desde o contacto direto com o cliente à gestão organizacional de topo.

Liderança estratégica com ambição internacional

O Turismo enfrenta desafios decorrentes da evolução dos mercados. Desafios, esses, que não se resumem a tão debatida Transformação Digital, mas também à conjuntura internacional, perante riscos geopolíticos que criam dúvida, instabilidade e reajustes face aos conflitos que se verificam em regiões do planeta que nas últimas décadas ganharam destaque no roteiro turístico de tantas pessoas.

Perante este contexto, torna‑se essencial promover uma liderança capaz de, dentro do possível, antecipar tendências globais e orientar a estratégia nacional, que aporte valor políticas públicas adequadas e aposte num investimento privado capaz de corresponder às expetativas já elencadas. Só assim será viável reforçar a competitividade do país num mercado altamente dinâmico, feito de nuances que, não poucas vezes, são o fator diferenciador para o sucesso ou insucesso de um em contexto turístico.

A liderança estratégica é, assim, um elemento central para garantir que Portugal não apenas acompanha a evolução do setor, mas assume um papel ativo na definição das suas tendências.

Mas também a qualidade da experiência é fator de diferenciação a levar em devida conta. A afirmação de Portugal deve assentar numa cultura que garanta elevados padrões de profissionalismo, onde a experiência do visitante no seu todo, a autenticidade dessa mesma

experiência e o compromisso com a satisfação do cliente merecem amplo relevo. Isto, se a reputação internacional estiver verdadeiramente na linha da frente das prioridades nacionais.

Mas a sustentabilidade e viabilidade do Turismo também dependem da capacidade de o tornar atrativo para os profissionais. A dignificação das suas profissões é essencial para assegurar a estabilidade das equipas, e com isso garantir a máxima qualidade do serviço. A adoção de percursos de progressão claros e estruturados é fator crucial; não menos importante, a formação contínua, com impacto no desenvolvimento de competências.

Com a iminência do regresso da época alta, nunca é demais reforçar: a excelência na oferta, associada a uma maior e melhor qualificação dos profissionais, em conjunto com inovação e cooperação institucional, constituem os pilares essenciais para o futuro do Turismo em Portugal. Se o país dispõe de condições únicas para se ancorar como referência internacional, essa ambição não merece menos que uma ação coordenada entre os vários agentes que constituem o ecossistema nacional desta área. A sua competitividade depende do conhecimento para colocar em prática políticas consistentes, pois apenas assim serão alcançados resultados tangíveis. Sempre sob o mote de alavancar o Turismo enquanto motor de desenvolvimento económico, social e territorial.


© Sapo