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Manutenção automóvel: entre o valor real e a perceção do condutor

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19.02.2026

Por Vítor Soares, diretor de Marketing e Comunicação da Euromaster, Portugal e Espanha

O início do ano traz consigo uma maior pressão sobre as decisões financeiras dos condutores. Num contexto económico mais sensível, o custo da manutenção automóvel ganha destaque, sobretudo quando se trata de intervenções técnicas cujo valor nem sempre é percecionado pelo cliente.

Depois das despesas associadas às festas, janeiro é tradicionalmente um mês de contenção e de reavaliação de prioridades. Neste cenário, a manutenção automóvel surge frequentemente como um custo a adiar, em especial quando não existem sinais visíveis de falha ou avaria. Ainda assim, esta perceção nem sempre reflete o verdadeiro impacto que determinadas intervenções têm na segurança, fiabilidade e durabilidade dos veículos.

Ao contrário de outras despesas mais imediatas, grande parte da manutenção acontece “nos bastidores”. A substituição de pneus, os alinhamentos, o equilíbrio das rodas ou as verificações técnicas não produzem resultados que o condutor consiga identificar de forma imediata.

Mas o benefício existe: maior segurança, melhor comportamento em estrada, menor desgaste de componentes e maior eficiência no consumo. Só que é muitas vezes intangível, dificultando a valorização do serviço prestado.

Este desfasamento entre a necessidade técnica e a perceção do cliente representa hoje um dos principais desafios do pós-venda automóvel. Num parque automóvel envelhecido como o português, onde a idade média dos veículos continua elevada, a manutenção preventiva é determinante para evitar avarias dispendiosas e riscos acrescidos na estrada. Ainda assim, a pressão económica leva muitos condutores a optar pelo adiamento, mesmo quando estão em causa componentes críticos para a segurança.

A experiência no terreno demonstra que este comportamento está frequentemente associado à falta de informação clara e acessível. Quando o condutor não compreende a função de uma intervenção ou o impacto da sua ausência, tende a encará-la apenas como um custo adicional. Mas quando existe explicação técnica, transparência na recomendação e confiança no aconselhamento, a decisão torna-se mais informada e consciente.

É neste contexto que o papel das oficinas assume particular relevância. Redes como a Euromaster, pela proximidade diária com o cliente, acompanham esta realidade de forma direta. O contacto regular com os condutores permite identificar dúvidas recorrentes, esclarecer perceções incorretas e reforçar a importância de intervenções que, apesar de pouco visíveis, são essenciais para garantir a segurança, o desempenho e a longevidade do veículo.

O aconselhamento técnico consistente deve ser encarado como parte integrante do serviço. Explicar, por exemplo, de que forma um pneu com desgaste irregular compromete a aderência ou como um alinhamento incorreto acelera o desgaste e aumenta o consumo ajuda o condutor a compreender que a manutenção não é um gasto dispensável, mas um investimento na prevenção de problemas futuros.

Janeiro assume, por isso, uma relevância particular para esta reflexão. Num mês marcado pela contenção financeira e pela avaliação de custos, torna-se ainda mais importante reforçar a mensagem de que adiar a manutenção pode sair mais caro a médio prazo – não apenas em termos económicos, mas também em riscos para a segurança rodoviária.

Num setor onde a confiança é um ativo fundamental, a clareza na comunicação e a consistência nas recomendações são decisivas para alinhar o valor real da manutenção com a perceção do cliente. Promover uma cultura de manutenção informada e responsável é um desafio contínuo, mas também uma oportunidade para fortalecer a relação entre condutores, oficinas e marcas.

No final, a equação é simples: quando o valor da manutenção é bem explicado, deixa de ser visto como um custo evitável e passa a ser reconhecido como aquilo que verdadeiramente é – um pilar essencial de uma mobilidade mais segura, eficiente e sustentável ao longo de todo o ano.


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