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Iceberg Ceuta

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10.08.2026

Ceuta parece uma cidade ocupada. Ceuta parece uma cidade libertada. Os migrantes deslocam-se pela cidade percorrendo o circuito humanitário, escondem-se no cemitério muçulmano, fogem para a selva de ninguém que rodeia a cidade. O exército ocupa as ruas da realidade de uma guerra que ainda não terminou. A polícia dirige o tráfego no intervalo do tráfico humano. O equívoco de Ceuta reside no facto de se estar a observar o fenómeno migrante como uma “crise migratória” quando de facto se está a observar o que pode ser um “relatório do futuro”.

As imagens são o retrato de um colapso da ordem pública e a imposição da lei do mais fraco contra o monopólio do mais forte. Os migrantes nas praias fazem lembrar um corpo expedicionário em movimento para o Continente. Pode o governo de Espanha dizer o que entender sobre a situação, mas a crise de Ceuta está longe de estar resolvida. Pode a Europa fazer o que entender, mas a crise de Ceuta é um manifesto político sobre as fronteiras externas da Europa – As fronteiras externas da Europa são insustentáveis.

Sem as fronteiras externas controladas, o espaço Schengen é uma ficção política........

© Sapo