Mateus 16:26
Como qualquer millennial do sexo masculino, passei boa parte da adolescência a jogar videojogos. Alguns roubaram-me meses de vida — o primeiro Sonic, o Championship Manager, o FIFA, o Mortal Kombat, o Red Alert, só para falar dos primeiros que me vêm à cabeça. A certa altura havia sempre um amigo que descobria um truque que alguém lhe tinha dito ou uma revista publicara.
De repente, o desafio que levaria meses completava-se em horas. Vidas infinitas, jogadores superpoderosos, golpes imparáveis, recursos sem fim para atingir todos os objetivos depressa e sem custo. Íamos a correr experimentar. Durante uns dias sentíamos a dopamina de varrer tudo: troféus atrás de troféus, vitórias atrás de vitórias, níveis finais alcançados num instante. Depois o efeito passava e o jogo era encostado. Aquele jogo que nos desafiara durante tanto tempo tinha passado a ser aborrecido. Pior, ficávamos sem saber se alguma vez teríamos conseguido aqueles objetivos sem os truques. Aos poucos aprendemos que ganhar........
