A Europa dos maus merceeiros
Não sou dos que pensam que tudo o que a União Europeia faz é mole e quase ridículo. Há quem a acuse de só fabricar regulamentos, de girar e girar e girar como um cata-vento e de correr e correr e correr para a irrelevância económica. Tantas acusações têm um fundo de verdade, por vezes até bastante verdade, mas não nos contam toda a história. Conciliar 27 vontades é muito mais complexo do que obedecer a um rabisco de Trump ou a uma assinatura de Xi. A UE precisa de tempo, porque está na sua natureza aproximar, às vezes a ferro e fogo, povos e culturas diferentes. É um processo labiríntico e esgotante, que parece feito à medida dos burocratas e deixa sempre vencedores e vencidos pelo caminho. Ah, e não esquecer: é uma construção ainda frágil, jovem e que nos pede tempo.
É por isso que me inquieta a carta que Friedrich Merz assinou com os líderes da Holanda, Suécia, Dinamarca, Áustria e Finlândia. Estes pequenos líderes de grandes países ameaçam bloquear o próximo orçamento de sete anos da UE se a proposta da Comissão, de quase dois biliões de euros, não for aparada em “várias centenas de milhares de milhões”.
É muito dinheiro? Convém olhar para o número com atenção: equivale a 1,26% do rendimento nacional bruto da União, e 168 mil milhões servem só para pagar a dívida do fundo de........
