O que nos ensinam as leveduras
Comecei a fazer cerveja há cerca de trinta anos. Na altura, no apartamento onde vivia em Lisboa (as garrafas eram lavadas na banheira).
O meu interesse pela produção de cerveja aconteceu ao ler um livro de espagíria publicado no século XVII, assinado por pseudónimo (supostamente, de um monge que o teria escrito dois séculos antes). Nesse tratado, na introdução, o autor escreveu que a produção de cerveja é uma escola de filosofia natural (o que corresponderia hoje às ciências naturais). Isso despertou a minha curiosidade. Ou seja, os processos de maltagem, brassagem e fermentação constituiriam um modelo ou analogia para a compreensão de vários fenómenos da Natureza. Poder-se-ia, no entanto, ir mais longe: aplicar esta analogia também à sociedade, ao ambiente e à política.
Em O que a chama iluminou, escrevi o seguinte: “Kurt Vonnegut, em Pequeno-almoço de campeões, depois de descrever o processo da........
