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Acordo MERCOSUL – reflexões de um cidadão agricultor europeu português

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27.01.2026

O acordo MERCOSUL tem estado na ordem do dia.

Parte relevante dos agricultores europeus tem-se mostrado activamente contra o acordo.

Como cidadão, agricultor, europeu e português partilho esta reflexão informal concretizada a partir do que até agora consegui apurar da muito extensa informação disponível (só os textos que compõem o acordo superam, sem anexos, as 1000 páginas!):

A) ACORDO UE – MERCOSUL – dados macro

O Acordo UE – MERCOSUL começou a ser negociado em Junho de 1999 (há 25 anos).  O acordo envolve 31 países: Os 27 da União Europeia e os 4 que constituem o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). Em número de pessoas/consumidores, o acordo envolve 720 milhões de pessoas: 450 milhões da UE e 270 milhões do Mercosul. Praticamente 10% da população mundial! Em termos de PIB mundial o valor é ainda superior. O acordo representa 20-25% do PIB mundial: UE -19% ; países do Mercosul -3%. De forma simplista, é um acordo entre a 3ª e a 6ª maiores economias do mundo. Num mundo instável em que a forte dependência de um só “fornecedor” tem provado ser geradora de fragilidades – por exemplo, o gás da Rússia ou a segurança por parte dos Estados Unidos –, o estreitar de relações com outras geografias e mercados parece-me prudente. Portugal (e também Espanha), pela proximidade histórica e cultural que tem com os países do MERCOSUL, pode ganhar uma importância e influência extra no âmbito do acordo e, a este nível, dentro da UE. Não me parece despiciente considerar que, nem que seja por intermediação, há espaço para que esta proximidade cultural seja geradora de retornos económicos extra para o nosso País. 

B) ACORDO UE – MERCOSUL – o acordo comercial

Importa clarificar que, antes do acordo, já existiam consideráveis trocas comerciais entre a UE e o MERCOSUL. Em 2024, o valor dessas trocas (bens e serviços) atingiu 153,8 mil M€ com a UE a exportar 84,4 mil M€ e a importar 69,4 mil M€. O que de mais relevante o acordo vem então estabelecer é uma redução muito significativa das tarifas aplicadas às importações realizadas entre os dois blocos.  Estas tarifas que se pretendem ver reduzidas são em tudo semelhantes às que Donald Trump constantemente tem vindo a defender e a aplicar. Neste sentido, parece-me um contrassenso existir apreensão pela eliminação das tarifas no acordo MERCOSUL ao mesmo tempo que também se receia a aplicação de novas tarifas por parte dos Estados Unidos. No acordo MERCOSUL eliminar-se-ão tarifas sobre mais de 90% das mercadorias........

© Sapo