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O Flamengo é muito maior que as bets! Desabafo de um rubro-negro envergonhado

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01.10.2026

Sou flamenguista desde a minha infância. Chorei, aos 9 anos, com o gol de Nunes sobre o Atletico Mineiro em 1980, assistido numa mini TV ligada à bateria de um carro qualquer no único lugar de Teresópolis que pegava o sinal da Globo que ia para Juiz de Fora (já que os jogos não passavam nos seus Estados): a colina dos Mirantes. Festa! Emoção! E uma paixão que nascia no coração de um menino: o Clube de Regatas do Flamengo.

Por isso, e depois de anos torcendo, chorando e vibrando pelo Mengão, me causa tanta estranheza a reação da atual direção do Flamengo à decisão do governo Lula de proibir as bets no Brasil. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, chegou a perguntar: “Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro?”. O clube estima que a medida possa representar um impacto de aproximadamente R$ 400 milhões em suas receitas.

A pergunta, porém, merece uma correção:

Como o Brasil vai impedir que milhares de pessoas continuem destruindo suas vidas para que o Flamengo possa pagar o Paquetá?

É legítimo discutir os efeitos econômicos da medida, o futuro dos clubes e até os riscos de migração para o mercado ilegal. O que não parece razoável é transformar a dependência financeira de um negócio controverso em argumento para que ele continue existindo.

O Flamengo existia antes das bets. Era gigante antes das bets. Lotava estádios, vendia camisas, revelava ídolos e conquistava títulos muito antes de qualquer aplicativo oferecer ao torcedor a possibilidade de apostar no número de escanteios de uma partida.

O maior patrimônio do Flamengo nunca foi uma casa de apostas. É a Nação.

E uma instituição popular não deveria depender da vulnerabilidade econômica daqueles que a sustentam. Porque o dinheiro das bets não cai do céu. Sai do salário de alguém, do orçamento de uma família, da mesada de um jovem, do dinheiro que deveria pagar uma conta. A pessoa perde, tenta recuperar, aposta novamente e, muitas vezes, entra num ciclo de endividamento que ultrapassa o campo financeiro. É aí que a discussão deixa........

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