O escritório como culto ao poder
O texto aborda a percepção do escritório como culto ao poder.
Um artigo publicado pelo The New York Times em 22 de junho, assinado pelo psicólogo organizacional Adam Grant e pelas pesquisadoras Marissa Shandell e Courtney Elliott, trouxe uma reflexão que ultrapassa o debate sobre trabalho remoto. A tese central é provocadora: a insistência de muitos dirigentes pelo retorno integral aos escritórios pode estar menos relacionada à produtividade e mais associada à busca por poder, visibilidade e reconhecimento.
Desde a pandemia, tornou-se evidente que a discussão sobre trabalho remoto expõe muito mais os modelos de liderança das organizações do que a capacidade de entrega dos trabalhadores. Em inúmeros casos, a questão deixou de ser administrativa e passou a revelar uma concepção de comando baseada na supervisão permanente e na crença de que autoridade precisa ser demonstrada diariamente.
Os números ajudam a dimensionar a mudança. Em pesquisa mundial divulgada pela Microsoft em 2021, 73% dos profissionais declararam desejar manter algum grau de flexibilidade em relação ao local de trabalho. Ao mesmo tempo, 67% afirmaram sentir necessidade de maior interação presencial com suas equipes. Os dados mostravam que a maioria não desejava extremos, mas equilíbrio.
Nos Estados Unidos, levantamentos da Gallup divulgados em 2024 e atualizados em 2025 indicaram que aproximadamente seis em cada dez trabalhadores com funções compatíveis com o home office preferem o modelo híbrido. O retorno obrigatório aos escritórios aparece, de forma recorrente,........
