Gritamos Independência ou Morte em 1822; hoje engolimos calados o grito Rentismo ou Recessão
Neste 7 de setembro, quando o Brasil celebra 204 anos de independência formal, os balanços corporativos divulgados nesta semana confirmam o que a lógica econômica já indicava: as despesas financeiras das empresas brasileiras saltaram 12% no segundo trimestre, batendo R$ 99 bilhões — dinheiro que sai da produção, do emprego e da inovação para engordar um sistema construído para recompensar quem empresta, numa data que deveria celebrar soberania e expõe, ano após ano, subordinação financeira. Ipiranga gritou “Independência ou morte”; o mercado financeiro brasileiro responde, dois séculos depois, com “rentismo ou recessão”.
O economista Ladislau Dowbor, da PUC-SP, chama o arranjo pelo nome certo: um sistema de agiotagem institucionalizado que paralisa o país. Para ele, quando aplicações financeiras de risco zero rendem mais do que abrir fábricas, contratar gente e produzir bens, o capital que já foi produtivo migra em massa para o rentismo improdutivo — drenando poupança que poderia virar emprego, tecnologia e indústria.
Luiz Gonzaga Belluzzo vai além e descreve o fenômeno como consequência de uma disputa de poder entre Estado e mercado financeiro, na qual o Banco Central acaba capturado pelas pressões dos grandes operadores. Para o economista da Unicamp, a política de juros elevados não decorre de........
