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A vaidade do poder: narcisismo e a ironia do Nobel da Paz

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30.01.2026

Ao longo do século XX, e agora, com ainda mais intensidade no XXI, a política tornou-se um palco privilegiado para personalidades obcecadas por visibilidade. Não se trata apenas de líderes com ego inflado, mas de figuras cuja identidade política depende radicalmente de aplauso, reverência e consagração simbólica.  Quando essa necessidade deixa de ser estratégica e passa a ser existencial, entramos no território do narcisismo patológico no poder.

O chamado narcisismo maligno, conceito desenvolvido pelo psiquiatra Otto Kernberg, descreve justamente essa fusão perigosa entre grandiosidade, agressividade, paranoia e ausência de empatia. Diferentemente do narcisismo “clássico”, aqui o outro não é apenas ignorado: ele é instrumentalizado, desumanizado ou descartado.

A história política oferece paralelos claros. Adolf Hitler construiu um regime inteiro baseado na encenação da própria grandeza. Monumentos, desfiles, títulos e rituais não eram acessórios: eram nutrientes psíquicos. O Führer não governava apenas por ideologia, mas por uma necessidade constante de confirmação simbólica de sua “missão histórica”. Benito Mussolini cultivava cuidadosamente a imagem do “homem forte”, teatralizando virilidade, infalibilidade e destino grandioso. Cada gesto público era pensado para reforçar sua centralidade absoluta, qualquer crítica era vivida como traição pessoal. Já Joseph Stalin, embora menos performático, exigia uma devoção silenciosa e total. O culto à personalidade servia para sustentar um ego profundamente paranoide: o líder precisava ser temido, venerado e eternizado em........

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