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Bahia ou Berlim: o ear-body de Tim Ingold entre Berghain e Baiana System

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26.06.2026

Tim Ingold relaciona o conceito de “ear‑body” à experiência sonora em Berghain (Berlim) e no Navio Pirata da Baiana System (Salvador).

Berghain ocupa uma antiga usina elétrica convertida em clube de música eletrônica.

O Navio Pirata da Baiana System percorre as ruas de Salvador durante o carnaval, acompanhado por multidão.

Ambos são apresentados como práticas de escuta corporal que fogem de uma representação simplificada.

“Só porque escutamos é que o mundo pode falar conosco, com vozes próprias. E é em nossos ouvidos — e somente neles — que o ranger das árvores, o uivo do vento e o bramido do trovão ganham vida. Nesses mesmos ouvidos, essas vozes se unem em coro, movendo-nos a responder em fala e canto, nos idiomas ressonantes da poesia e do mito. Muito do que, na literatura antropológica clássica, recebe o nome de magia, xamanismo ou possessão espiritual consiste em respostas desse tipo. E se buscássemos aqui as raízes da linguagem — na responsividade à possessão, e na responsabilidade que a acompanha de manter o contraponto coral em algum tipo de harmonia? Essa responsabilidade não torna o humano dominante, mas vulnerável. E é nessa vulnerabilidade que reside sua excepcionalidade.” Tim Ingold, How the World Makes Itself Heard googletag.cmd.push(function() {googletag.display('entreparrafos1');});

“Só porque escutamos é que o mundo pode falar conosco, com vozes próprias. E é em nossos ouvidos — e somente neles — que o ranger das árvores, o uivo do vento e o bramido do trovão ganham vida. Nesses mesmos ouvidos, essas vozes se unem em coro, movendo-nos a responder em fala e canto, nos idiomas ressonantes da poesia e do mito. Muito do que, na literatura antropológica clássica, recebe o nome de magia, xamanismo ou possessão espiritual consiste em respostas desse tipo. E se buscássemos aqui as raízes da linguagem — na responsividade à possessão, e na responsabilidade que a acompanha de manter o contraponto........

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