Antissemitismo e Antissionismo
José Saramago foi acusado de antissemitismo por afirmar que “o povo israelense e seu exército converteram‑se em rentistas do Holocausto”.
O texto alega que acusações falsas de antissemitismo são usadas para blindar Israel e o sionismo contra críticas legítimas.
Intelectuais brasileiros como Paulo Sergio Pinheiro, Reginaldo Nasser e Glenn Greenwald debatem a diferença entre antissemitismo e antissionismo.
A crítica, segundo o autor, deve ser ao sionismo – movimento político fundado por Theodor Herzl no fim do século XIX, que resultou na criação de Israel em 1948.
“O povo israelense e seu exército converteram-se em rentistas do Holocausto”. José Saramago
Volto a um tema que tem dado panos para manga. Qual o ponto essencial do debate sobre antissemitismo e antissionismo no mundo? Talvez seja a confusão desonesta e perigosa que os sionistas – um poderoso lobby transnacional – tentam fazer entres os dois fenômenos. A confusão é grande e tem sido manipulada para perseguir e assediar juridicamente críticos do sionismo e de Israel. Abundam acusações falsas de antissemitismo, feitas com o propósito de blindar Israel e o sionismo contra críticas não só legítimas, como também necessárias. Saramago, para citar um exemplo ilustre, foi acusado de antissemitismo pela frase citada em epígrafe.
No Brasil, há muitos intelectuais que escrevem com grande competência sobre esse tema – entre outros, Paulo Sergio Pinheiro, Reginaldo Nasser, Cláudia Assaf, Arlene Clemesha, Breno Altman, Glenn Greenwald e Bruno Huberman. Os três últimos são de origem judaica.
Apoiando-me em parte nas contribuições desses intelectuais, vou tentar esclarecer didaticamente a diferença entre antissemitismo e antissionismo, ainda que correndo o risco de resvalar para o óbvio ululante. Repisar o óbvio pode parecer desnecessário e ofensivo, reconheço. Mas, como dizia Nelson Rodrigues, o óbvio deve ser cultivado, pois........
