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A política de juros do Banco Central é um desastre

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friday

O Banco Central, com diretoria nomeada por Lula, mantém a taxa Selic em cerca de 10% ao ano, mesmo após duas reduções de 0,25 ponto percentual pelo Copom.

O economista Gabriel Galípolo foi acusado de traição por Bresser‑Pereira, refletindo a insatisfação com a política de juros.

Apesar da alta taxa, o Brasil se destaca como um dos maiores exportadores de petróleo bruto em 2025, ocupando o sétimo lugar em volume e o décimo em valor.

O conflito no Oriente Médio, que afetou a produção de Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos, elevou a posição do Brasil no ranking de exportação de petróleo.

“Gabriel Galípolo é um traidor”, disparou Bresser-Pereira há poucos dias. Não iria tão longe, ainda tenho uma esperança (minguante) de que Galípolo possa reorientar a política monetária. Mas não há dúvida de que é imensa a frustração com o presidente e os diretores do Banco Central – tanto mais que todos eles foram nomeados pelo presidente Lula

Que diferença fez a nova diretoria do Banco Central até agora? Pode ser que estejam preparando coisas importantíssimas nos bastidores, mas não se nota por enquanto nenhuma mudança expressiva em comparação com a gestão Roberto Campos Neto. Os juros continuam na lua, produzindo estragos consideráveis no país.

Antes de entrar no assunto, faço duas ressalvas rápidas. Primeira: Gabriel Galípolo é um quadro de valor, experiente (apesar de jovem) e conhecedor dos meandros do mercado financeiro. Os problemas que apontarei no artigo não decorrem de incompetência ou despreparo dele. Segunda ressalva: o Banco Central tem atribuições variadas: conduz a política monetária por meio da taxa básica de juros (a Selic); supervisiona e regula o sistema financeiro; administra a política cambial e as reservas internacionais do país; e cuida do sistema de pagamentos, entre outras atribuições. Vou tratar neste artigo apenas da primeira atribuição, a mais central e que chama mais atenção – a política de juros.

Bem. Nesse terreno, a política monetária comete um “erro grotesco”, como disse recentemente um participante do mercado financeiro em entrevista a um jornal. De fato, as taxas de juro no Brasil impressionam qualquer um. Há casos de outros países relevantes que tenham mantido juros reais na estratosfera por tanto tempo? Se existem, são raríssimos.

Apesar das duas reduções de 0,25 ponto percentual nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic se situa em cerca de 10% a.a. em termos reais ex ante, isto é, quando a taxa nominal é deflacionada pelas projeções de inflação do Banco Central e do mercado. E, pior, os juros médios cobrados pelos bancos e outras instituições financeiras, na faixa livre de crédito, situam-se em torno de 35% a.a. em termos reais – 15% para pessoas jurídicas e nada menos que 52% para pessoas físicas! São taxas de juro para ninguém botar defeito. Destroem as finanças de famílias, de empresas e do próprio governo.

O quarto choque do petróleo

Há justificativas para manter os juros nesse nível? O argumento mais recente em favor de juros altos é o choque do petróleo decorrente da agressão ao Irã. É verdade que a guerra na Ásia Ocidental produz impacto substancial não só sobre as cotações do petróleo e seus derivados, mas também de outros produtos importantes, como gás natural, fertilizantes e alimentos. Esse impacto deve persistir, pois não há solução à vista que permita reabrir duradouramente o Estreito de Ormuz.

Não se deve perder de vista, entretanto, que o Brasil é um dos ganhadores com esse choque do petróleo, o quarto desde a década de 1970. Diferentemente do que se verificava na época dos primeiros choques, o Brasil não mais depende de importação de petróleo bruto. Ao contrário, estima-se que o........

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