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Contra o futebol caranguejo!

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22.06.2026

O autor assistiu ao jogo entre a seleção de Cabo Verde e o Uruguai após o empate de Cabo Verde com a Espanha.

Recordou a frase de Neném Prancha sobre a postura dos jogadores e citou a eficácia das faltas de Didi, apelidada de “folha‑seca”.

Em partida regional, Santa Rita Velha perdeu chance de gol contra o Presépio Sport Club quando Cavadeira chutou e o goleiro defendeu.

Relatos de times “invencíveis” em Nova Resende e de árbitro parcial em Belo Horizonte, que favorecia o Atlético Mineiro.

Alguém disse (acho que o Millôr Fernandes) que o pessimista é mais feliz que o otimista: gosta quando acerta e gosta quando erra. Vendo a seleção brasileira, torço para errar: sou pessimista, mas se ela “desencantar” e jogar pra valer, viva! Vou gostar muito!

Andava com saudade do futebol. Tem aí na TV todos os dias jogos que dizem ser de futebol, mas quando tento assistir a algum, logo desisto. Não é futebol, é uma chatice.

Já fui torcedor, com muito gosto, mas os times foram me decepcionando, passei a torcer só pela seleção brasileira e ela vem me decepcionando mais ainda. Não dá gosto ver. É um futebol sem graça, burocrático. Imagino que brevemente colocarão um relógio na porta do vestiário para os jogadores baterem na saída para o campo e na volta.

O Brasil joga hoje o que chamo de “futebol caranguejo”, não anda pra frente, só de lado… ou pra trás.

Estimulado pela notícia do empate da seleção de Cabo Verde com a Espanha, decidi ver o jogo do pequeno país africano contra o poderoso Uruguai. E valeu. Lembrei-me de uma frase de Neném Prancha, o “filósofo do futebol”, antigo roupeiro, massagista e técnico dos times de base do Botafogo: “O jogador tem que ir na bola com a mesma disposição com quem vai num prato de comida, com fome, pra estraçalhar”.

Bom… ganhando por mês o que um trabalhador de salário mínimo não ganha na vida inteira, pra começar, os “craques” (entre aspas mesmo) de hoje em dia não correm pra um prato de comida. Aliás, por pura cafonice, vão atrás de um filé com ouro, como no Qatar. E não correm para a bola. Desfilam no campo exibindo novos cortes de cabelo e tatuagens. Uma apatia desgraçada pela bola.

Pois é, jogadores de Cabo Verde (mesmo que ganhando bem também), jogam com vontade, sem burocracia. Correm atrás da bola e a jogam pra frente, sempre tentando marcar gols. Os times brasileiros não atacam, ficam enrolando, passando a bola para o lado.

Vendo uns jogos da seleção brasileira há alguns anos, quando tinha falta na entrada da área, pensava: agora é gol. O futebol brasileiro tinha grandes batedores de falta. Falta perto da área era praticamente meio gol em jogos da seleção, pois tínhamos batedores como Didi, Nelinho, Gerson, Ronaldinho Gaúcho, Juninho, Rogério Ceni, Rivelino, Marcelinho Carioca… Didi chegou a ter um estilo tão próprio e eficiente de bater falta que esse tipo de chute chegou a ganhar o nome de folha-seca. De longe, com barreira à frente, a bola chutada por ele ia alta e de repente caía rumo ao gol surpreendendo o goleiro.

De uns anos pra cá, virou uma tristeza. Falta na entrada da área, em vez de um chute certeiro a gol, virou uma troca de passes recuando às vezes até o goleiro. É o futebol caranguejo em ação! Só vi uma exceção, um batedor com chute perigoso, o Raphinha. Só uma vez.

Historinhas de futebol

O que não falta e não vai faltar nos próximos dias são comentários sobre a seleção, então vou mudar de assunto. Quer dizer, mudar de assunto, não: vou continuar falando de futebol, mas não da Copa do Mundo.

Começo por uma historinha que publiquei no meu primeiro livro, “Santa Rita Velha safada”. A atuação de um juiz de futebol me fez lembrar da sabedoria do rei Salomão, e dei a esse causo o título “O Salomão do Futebol”. Escrevi esse livro em 1983 e publiquei, acho, em 1987. É baseado em um fato real: um jogo da Esportiva Nova Resende contra o time de Juruaia, no início dos anos 1950. O que me impressiona é quantidade de gente que se “apropriou” dele. Publicam igualzinho, mas dizendo que aconteceu na cidade do proseador. Recentemente vi até num........

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