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O que Lula entrega ao Brasil – e o que Flávio Bolsonaro teria a oferecer?

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14.09.2026

Falta menos de um mês. Em 4 de outubro os brasileiros irão às urnas em uma eleição que promete ser umas das mais disputadas da história do Brasil.

Há eleições em que se escolhe entre programas. Há outras em que se escolhe, antes de tudo, entre experiências de país. A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro não pode ser reduzida a uma guerra de slogans, sobrenomes e pesquisas de opinião. O que está em jogo é uma comparação concreta: de um lado, uma trajetória de governo que pode ser examinada, medida e criticada; de outro, uma candidatura cuja principal credencial é a continuidade de uma família política e de um campo ideológico que ainda precisa responder por suas escolhas.

Lula não chegou à Presidência como herdeiro de uma estrutura familiar. Chegou depois de décadas de militância sindical, organização popular e disputa democrática. Governou o Brasil em dois mandatos, entre 2003 e 2010, e voltou ao cargo em 2023. Não são vinte anos de governo, como às vezes se afirma, mas é uma experiência presidencial incomparavelmente mais extensa do que a de qualquer outro nome hoje lançado ao debate no campo bolsonarista.

Essa trajetória não transforma Lula em personagem acima da crítica. Ao contrário: quanto maior a experiência, maior a responsabilidade. Seus governos devem ser avaliados por resultados econômicos, políticas sociais, qualidade dos serviços públicos, compromissos fiscais e decisões tomadas ao longo dos anos.

Durante os primeiros governos Lula, o Brasil combinou crescimento econômico, expansão do emprego, valorização do salário mínimo e redução da pobreza. Programas de transferência de renda foram ampliados e integrados a uma política social de alcance nacional. Milhões de brasileiros passaram a ter maior acesso a universidades, institutos federais, crédito, mercado de trabalho e bens de consumo. A fome deixou de ser tratada como fatalidade privada e passou a ser enfrentada como problema de Estado.

Nada disso autoriza complacência. A desigualdade continua profunda. A qualidade dos serviços públicos permanece insuficiente. O país ainda enfrenta problemas de produtividade, violência, precarização do trabalho e concentração de renda. Mas reconhecer limites não exige negar conquistas. A política pública deve ser julgada pela vida concreta das pessoas, não pelo interesse de quem pretende transformar toda ação estatal em desperdício e toda política social em favor pessoal.

A dimensão internacional também importa. Lula devolveu ao Brasil uma presença diplomática compatível com o........

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