Melhor do mundo
Faltam 28 minutos pro domingo virar segunda e o vagão só esvazia na estação Guilhermina-Esperança. O ambulante me cumprimenta com a cabeça, senta e acomoda a sacola preta entre as pernas. Estico o pescoço e vejo, lá dentro, algumas cocadas.
Parece que o trabalho rendeu, mesmo assim quero perguntar das vendas. Aliás, daria com prazer um pouco do meu tempo, do meu sono e até parte do que tenho na carteira para saber não só das cocadas. Quero conhecer, um tiquinho que seja, este trabalhador.
Quem vende cocadas até o último trem do domingo tem muito a contar.
Dou sorte. Mesmo tendo falado o dia inteiro de suas cocadas; que são gostosas, que desfazem na boca, que são baratas, que são mineiras e que vêm direto do vale do Jequitinhonha, ele ainda quer falar.
Ajeita o boné, pigarreia.
– Meu nome é Getúlio. Getúlio Pereira da Silva. G. P. S. Nunca me perco. Entendeu? (rimos os dois) Mas sou conhecido como Raimundo.
Eu explico: Pro ambulante o marketing é tudo. Entro no vagão e anuncio: “Chegou a melhor cocada do mundo, a cocada do Raimundo”. Eu experimentei essa publicidade por que a rima é boa e eu sempre adorei o nome Raimundo. Tem passageiro que comenta. “Olha aí o........
