Xi Jinping e Trump se preparam para uma vitória de Lula
Faltam 25 dias para a eleição presidencial brasileira. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro disputam votos, Marco Rubio percorre a América do Sul para consolidar a aliança dos governos de direita com os Estados Unidos e conter a presença da China no continente.
Nesta quinta-feira, 10 de setembro, o Peru anunciou sua entrada no Escudo das Américas, coalizão criada por Donald Trump e formada principalmente por governos latino-americanos de direita. O anúncio ocorreu depois do encontro de Rubio com a presidente Keiko Fujimori, em Lima, última escala de uma viagem que passou também pela Colômbia e pelo Equador.
A ofensiva é apresentada como uma aliança contra o narcotráfico e a imigração. Mas possui uma dimensão geopolítica mais ampla. A viagem de Rubio procura reforçar a presença militar e política dos Estados Unidos e conter o avanço chinês na América Latina.
Pequim respondeu antes mesmo de Rubio desembarcar em Lima. Na terça-feira, a Embaixada da China no Peru declarou que o Hemisfério Ocidental não é o “quintal” de ninguém e afirmou que os países latino-americanos têm o direito soberano de escolher livremente seus parceiros.
Trump diz: “Este hemisfério é nosso”.
A China responde: o hemisfério não pertence a ninguém.
É nesse confronto que ocorrerá a eleição brasileira de 4 de outubro. Se Flávio vencer, Trump e Rubio conquistarão um aliado no maior país da América Latina. Se Lula for reeleito, o cerco norte-americano encontrará, no centro do continente, um governo que rejeita a submissão a Washington, fortalece os BRICS e preserva a parceria estratégica com a China.
Xi Jinping e Trump já se preparam para essa possibilidade.
Xi já entrou em cena. Em 27 de julho, conversou por telefone com Lula. No comunicado oficial, registrou que o Brasil atravessava uma “importante agenda política interna” — referência diplomática à eleição de outubro.
O presidente chinês defendeu o fortalecimento da coordenação estratégica, a cooperação nos BRICS e o apoio ao Brasil na defesa da soberania e contra a interferência externa. Não pronunciou o nome de Flávio Bolsonaro, não declarou apoio eleitoral a Lula, não pediu votos nem ameaçou autoridades brasileiras.
O South China Morning Post descreveu a eleição como uma disputa entre Lula, parceiro de Pequim, e Flávio, candidato preferido de Washington. Segundo analistas ouvidos pelo jornal, uma vitória de Flávio poderia produzir o alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos.
Em abril, Jamil Chade revelou que diplomatas, autoridades e acadêmicos chineses perguntavam a interlocutores brasileiros sobre os cenários eleitorais. Para fontes ouvidas por ele em Pequim, a eleição brasileira é um dos acontecimentos políticos mais importantes de 2026 entre os países em........
