O silêncio ensurdecedor sobre Cuba
Em 20 de agosto, os EUA sancionaram três dirigentes do ICAP e nove entidades cubanas dos setores de mineração, metalurgia e construção, inclusive o Ministério da Construção.
O senador Marco Rubio acusou o ICAP de manter “vasta rede subversiva” nos EUA, caracterizando intercâmbios culturais como atividades suspeitas.
Na noite de 27 de agosto, a União Elétrica de Cuba estimou que o déficit de energia pode deixar sem fornecimento até 64 % da ilha.
Segundo a Associated Press, cidadãos norte‑americanos que retornaram de Havana após as comemorações do centenário de Fidel Castro foram detidos no aeroporto de Miami.
Há dez dias, publicamos neste espaço o artigo “Cuba: a Gaza do hemisfério que Trump chama de seu”. Desde então, os fatos não apenas confirmaram o que escrevemos. Acrescentaram uma pergunta ainda mais incômoda: quanto sofrimento é necessário para romper o silêncio?
O historiador João Carvalho acaba de voltar de Cuba. Encontrou uma população submetida a uma crise que muitos cubanos já consideram pior que o Período Especial, depois da dissolução da União Soviética. Não encontrou um povo rendido. Encontrou consciência política, dignidade e resistência.
Carvalho não foi a Cuba apenas para observar. Participou de uma missão de solidariedade que arrecadou recursos para ajudar na recuperação de equipamentos do Centro Fidel Castro Ruz e na compra de medicamentos básicos, selecionados de acordo com as necessidades apresentadas pelos cubanos.
Antibióticos. Analgésicos. Antipiréticos. Anti-inflamatórios. Remédios comuns no Brasil. Remédios que, em Cuba, podem separar a doença da recuperação — e, às vezes, a vida da morte. João voltou com uma definição: o bloqueio é “um genocídio a conta-gotas”.
Não há uma crise. Há um crime
Seis meses antes, em fevereiro, a atriz cubana Ikay Romay havia escrito uma carta aberta ao mundo. Não pediu dinheiro. Não pediu soldados. Não pediu caridade. Pediu que o mundo olhasse para Cuba.
Falou de idosos à espera de medicamentos, de hospitais sem materiais básicos, de famílias sem comida e de crianças ameaçadas pela falta de eletricidade que paralisa a ilha. E escreveu: “Não há uma crise. Há um crime”.
A carta percorreu as redes sociais. Comoveu, recebeu compartilhamentos e desapareceu no fluxo incessante das notícias. O sofrimento continua.
O que Romay........
